Just keep walking
abril 10, 2008
Imperdível oportunidade
abril 10, 2008
- Boa noite, eu poderia falar com o Sr. Carlos Henrique Hauser?
- É ele.
- Sr. Carlos, meu nome é Jacquellyne Alessandra, consultora comercial do grupo…
- Ah, não, Jacquellyne.
- Como, sr.?
- São oito e meia da noite, e vocês ficam ligando na casa dos outros pra tentar vender coisas que ninguém precisa? Tenha dó, né?
- Mas, senhor, nosso banco lhe oferece a oportunidade de adquirir um novo serviço por apenas R$ 9,99 ao mês, podendo ainda concorrer a prêmios.
- Escuta, Jacquellyne Alessandra, nem que o prêmio fosse sua bundinha gorda coberta de leite condensado!! Num enche meu saco, vai. Tchau.
tu-tu-tu-tuu.
1… 2… 3…
abril 10, 2008
Contou até dez.
Bem devagar.
Respirou fundo.
Inspirou…
Expirou.
Contou de novo. Até vinte, dessa vez.
Disse para sim mesma: “é só trabalho.”
“É só trabalho.”
Não adiantou. Ainda estava com muita raiva.
Estrada
março 30, 2007
- “I built an altar for you”, é isso que ele falou?
- Acho que foi.
João voltou a música para o começo, sem tirar os olhos da estrada.
- É. Um altar, feito de polaroids e sei-lá-o-quê, na parede do quarto.
- Credo.
- O quê?
- Ah, meio ridículo, né? Um altar, sei lá…
- Hehe. Tá bom, vou passar pra próxima.
- Não. Deixa aí.
- Ué, não era ridículo?
- É. Mas é bonito. E o amor é assim, meio ridículo mesmo.
- Haha. Esse negócio de altar me lembra “Relicário”. Mas “Relicário” é diferente.
- “O que você está fazenduuuu-uuu? Um relicário imenso deste amooor”.
- É. Gosto desse trecho. Me vem uma imagem linda na cabeça.
- Pois é, babe. Às vezes o jeito com que a gente fala as coisas é tão importante quanto o conteúdo.
- Uau. Mais um grande ensinamento da srta. Dani Martins!
- Engraçadinho. Melhor anotar, para não esquecer.
- Não posso. Estou dirigindo. Vou ter que confiar na minha memória.
Piscou para ela, sorrindo. Recostou-se no banco do carro, e ficou em silêncio, tentando lembrar quando foi a última vez que se sentiu tão bem.
Boas intenções
março 23, 2007
Vinha pela calçada, na direção contrária do carro, parado no sinal. Era uma senhora já. Entre 50 e 60 anos. Mais para 60, provavelmente. Não era esbelta nem elegante. Bons quilos a mais. Não se aproximava de nenhum padrão de beleza difundido pelas revistas ou pelos filmes. Mesmo assim, Caio desceu o vidro e soltou, num volume apenas suficiente para que ela ouvisse, um “gostosa.” Pôde ver pelo retrovisor que ela retesou o corpo, deu uma olhada bem rápida em volta e apertou o passo. Também viu a cara de espanto de seu amigo no banco do passageiro, de boca aberta e sobrancelhas erguidas, sem saber se ria ou não.
- Cê é louco, cara!
- Nada. Tudo calculado. Fiz uma boa ação.
- Ah, claro. Chamar a velha de gostosa no meio da rua. Suuuper boa ação.
- Pensa comigo. Quanto tempo faz que ela não ouve alguma coisa desse tipo? Assim que passar a raiva, vai pensar. Vai chegar em casa e se olhar no espelho. Depois, contará pro marido o que aconteceu. Ele vai achar estranho e perguntar se tem certeza que foi pra ela. “Só eu estava passando ali naquela hora”. Então o marido vai olhar para ela de outro modo por um tempo. Talvez eles façam amor hoje, com entusiasmo.
- Hahaha. Tu é doido.
- Talvez. Mas minha intenção foi boa.
—
MSN
março 19, 2007
…
Yuri and the burning hearts diz:
Deixaver. O filme começa as 21h00.
Hmmm. 20h30, em frente o mcDonalds, pode ser?
Lady Stardust diz:
Pode! Combinado.
eer… isso é, tipo, um “encontro”?
Yuri and the burning hearts diz:
Digamos que é, tipo, uma oportunidade da gente se conhecer pessoalmente.
Mas, claro, se você não resistir e quiser me agarrar, FIQUE À VONTADE!
Lady Stardust diz:
Hahahaha.
Você me faz rir.
Yuri and the burning hearts diz:
Isso foi um tipo de elogio?
Lady Stardust diz:
Claro! Eu gosto disso em você.
…
Oh…
março 19, 2007
… yeah.
